Nojo

Será que a cura e calma a nossa frente não existem?
E o que vemos? Um soro ineficaz a nossa doença
E que mesmo locado no país da santa esperança
Os fatos amargos e o cansaço nos anestesiem

Será que serei eu e borrão de quem fui no fim?
Onde estará o lirismo e a poesia bucólica
nesta continuidade alcoólica? Rima mórbida.

Será você a me esperar ou será desapontamento
Resguardado seja o direito ao rancor eterno
de si mesmo. De fato, de si mesmo!

A amarga lembrança das possibilidades perdidas
inesquecíveis no pessimismo habitual
E o derradeiro e equalizador final efêmero
Pondo um fim na dor de um e na vida épica de outro
Reduzindo todos a definição augustiniana 

Mas. O tempo contou a história independente do fim.

[24 de março de 2015]

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