Olhar Cotidiano nº1

Desço às seis e quarenta onde eles moram
Enrolados a si mesmos junto ao chão
onde buscam o calor e não encontram
onde compartilham junto aos outros solidão

Digo "bom dia", como alguém que percebe
Como se dissesse - Eu os vejo!
E em minha impotência (?) que se segue
cotidianamente. Sigo e bocejo.

Estes olhos amaldiçoados que dor farejam
sedentos pelas mazelas da população
Que será? Internos gritos que não silenciam?
Será vera empatia ou apenas inquietação?

O que me vem é a ironia com qual me deparo
Tanta agonia e desamparo. 

Em minha quase bucólica e charmosa, Amparo.

[18 de junho de 2015]

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